0006 – Deuses e Deuses

O mundo é vasto, vasto mundo, como já ensinava o poeta. Sendo múltiplo, multifacetado, com culturas locais e influências históricas tão vastas quanto os mares e oceanos, as orientações religiosas seguem o mesmo padrão de pluralidade. Se isso é correto, mais ainda que as religiões deveriam se pautar por critérios de moralidade e de respeito entre si, partindo do princípio universal de igualdade entre as possibilidades de manifestações das mesmas.
Se o princípio é correto, e assim penso, é simplesmente acintoso, seja do ponto de vista humanitário, seja do ponto de vista moral ou ainda em relação a própria essência de cada uma de tais religiões, incitar, provocar ou tentar, de modo mais direto ou subrepticiamente minorar uma crença em relação à outra.
No entanto, o fanatismo religioso, que já levou tantos para os braços da morte, continua insidiosamente trabalhando. O modus operandi é simples, bastando autoqualificar-se a partir da degradação das demais religiões, crenças ou seitas.
Enquanto os homens tentarem provar que todos devem crer e pensar monoliticamente, seja em que campo do pensamento seja, teremos de conviver com tais arbitrariedades.
Sou judeu, mas respeito profundamente as demais religiões, e fico razoavelmente espantado quando alguém retorna o velho argumento de que religiões afro são coisa de negros ou de macumbeiros, ou de que quem não crê em Cristo não chega ao Amor de Deus, ou de que quem não crê em determinado dogma está fadado ao Quinto dos Infernos. Na medida em que avanço em idade, mais entendo quanto essas pessoas, que tratam a relação com Deus como se fosse uma relação liberal-capitalista, estão absolutamente erradas.
Admita-se que entre as diversas culturas, os Deuses são tão significantes e tão importantes quanto o Deus que nós próprios acreditamos. Acreditar em Deus não demanda execrar deuses, que são tão Deuses quanto aquele em que acreditamos.
Não há, pois, relação de hierarquia entre deuses, somente há relações de poder e de influência social, política, cultural e econômica entre as instituições e os homens que entendem falar em nome de Deus, ou mesmo que assim não entendam, ajam e procedem como se assim entendessem, por meras questões de interesses das mais diversas ordens.
A questão maior radica não no que dizem os deuses, mas sobre o que fizemos e fazemos com o quenos disseram que eles dizem. E, sejam deuses ou Deus, nesse sentido pouco importa.
A mensagem é universal, atendendo as variações culturais devidas, mas as leituras – ah!, as leituras – essas são um exercício que muitas vezes beira ao vulgar e raso jogo de interesses e, sem dúvida, a qualquer coisa que sequer lembre, vagamente, o conceito de divindade. HILTON BESNOS

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