0036 – O brasileiro é acima de tudo um golpista

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Postado por Juremir em 21 de março de 2015Uncategorized

O Brasil parece não ter nascido para a democracia.

Assim como não se acostuma com a fórmula de pontos corridos no futebol. O brasileiro acha isso tudo muito chato. O Brasil gosta de mata-mata. Democracia e pontos corridos dão pouca emoção. É um sistema enfadonho em que o ganhador ganha e acabou. Não faz sentido. Não tem atalho. O brasileiro adora poder matar quem o matou. É o princípio da ressurreição ou da última chance. O incompetente precisa ter uma possibilidade de virar o jogo mesmo que tenha sido disparado o pior.

O derrotado nas urnas sempre quer um terceiro turno ou um impeachment providencial mesmo que não existam razões jurídicas para tanto. No futebol, o oitavo colocado, digamos, com 20 pontos a menos, quer ter o direito de eliminar o primeiro em dois bons jogos lotéricos.

A democracia é tediosa. O ganhador fica quatro anos no poder. O perdedor precisa esperar. Depois de mais de duas décadas de ditadura, elegemos um presidente, o bizarro Fernando Collor. Tratamos de derrubá-lo para encurtar a enormidade do seu mandato. Itamar Franco assumiu como tampão. FHC veio depois e comprou a emenda da sua reeleição. Essa providência serviu para sacudir o tédio democrático. A cada mandato é preciso algum tipo de golpe, branco, preto, seja o que for. Lula empalmou o poder e podia ter caído com o mensalão. A oposição dormiu no ponto e deixou a coisa rolar sem graça até o fim. Dilma foi inventada por Lula e já está no segundo mandato. Ninguém aguenta mais tanta democracia.

O PSDB, furioso por ter perdido nas urnas, dá o tapa e esconde a mão: quer o impeachment sem confessar. Nem se importa com o fato de que o poder ficaria com o eterno PMDB.

Democracia e pontos corridos não combinam com o Brasil. É como carnaval sem álcool. Fica difícil acontecer alguma coisa mais excitante. O brasileiro é, antes de tudo, um golpista. Só goza no golpe. Só tem tesão no atalho. A democracia é broxante. Entre nós tudo se repete como farsa. Paulistas querem repetir 1932, 1954 e 1964. Ainda estamos na época de Carlos Lacerda e do combate à ameaça comunista. A frase do momento é novinha: o petróleo é nosso. Um lado grita genialmente: vai para Cuba. O outro rebate: vai para Miami. Não por acaso estamos vivendo uma tentativa de golpe disfarçada de impeachment e uma proposta de volta ao sistema mata-mata. A eleição sem golpe e os pontos corridos são injustos, pois exageram na justiça.

Não dão espaço para a reviravolta. Matam o revanchismo.

O golpismo faz do brasileiro um forte. Se está ruim, aposta no pior. O brasileiro só é democrata quando toma as ruas em defesa de um golpe apelidado de impeachment. Quando o eleito pode se reeleger para um segundo mandato, queremos que isso não seja mais possível. Quando não há reeleição, propomos que isso seja possível. Detestamos repetir fórmula. Salvo a do caixa dois com dinheiro ilícito. Somos todos iguais no golpismo, no mata-mata e no caixa dois. Salvo as exceções.

Não fosse a possibilidade do golpe, o brasileiro não seria democrata.

O golpismo está em nosso DNA. Quando não tem golpe de Estado, tem golpes de todo tipo contra o erário público. JUREMIR MACHADO

 

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