0058 – A (A)normalidade da padronização

A (A)normalidade da padronização – Ou quando tudo está como era estatísticamente suposto

Eventualmente a mais profunda das despersonalizações, das concretas descontextualizações. Esta assustadora normalidade que nos coloca todos iguais, que não nos mostra o quão diferentes somos, a riqueza da nossa contribuição para a dinâmica social. Mais assustador que tudo isto é a luta frenética para a integração na dita “normalidade”, com o profundo desejo de nos sentirmos pertencentes a um qualquer grupo que permita o tão desejado apoio social.
Será a diferença, a irreverência consciente, a capacidade de dizer não, assim tão desestruturante?

A verdade é que usualmente, o medo do diferente, do confronto com os outros, na necessidade de perante a diferença ter de justificar, de forma inequívoca, o que pensamos, dizemos e sentimos, é assustador e muitas vezes desmotivante, até porque os normalistas tendem a ridicularizar, ou tão somente a ser complacentes, com quem ousa pensar diferente.

Todos conhecemos a famosa expressão de Martin Luther King, todos gostamos de sonhar, mas pouco se dão à liberdade de expressarem de forma concreta os seus desejos.

Afinal, tudo está como era estatisticamente suposto, muito por causa do receio de pensar diferente, ou do medo de lutar pela concretização de um ideal, ou ainda pela preguiça que nos leva imensas vezes a ir com a maré, a ajustarmo-nos a um socialmente desejável, somente porque sim.

Assim se compreende que a focalização da análise na normalidade, nada mais seja do que uma construção, que em muito pouco se coaduna com o real. Uma atitude que numa análise àpriori parece menos incomodativa porque nos traz a sensação de ajustamento, mas que depois se traduz num inequívoco sentimento de desajustamento pessoal.

Esta normailidade é algo que nos traz um retorno imediatista, mas um preço imenso na (des)construção do nosso sentido de vida.

Ter a capacidade de sonhar, organizar um projeto, traçar objetivos e desenvolver competências pessoais para percorrer o caminho da mudança, de forma concreta e intelectualmente honesta, é o imaginário de muitos, a capacidade de alguns e a concretização de poucos. Desculparmo-nos com a situação, a necessidade de termos de estar integrados porque disso depende uma parte do nosso futuro, são as desculpas mais frequentes para não assumir a aventura que é a vida e viver.

Efetivamente, quando tudo está como estatisticamente era suposto, está frequentemente como não deveria estar para que as nossas diferenças traduzam aquilo que somos, únicos.

https://psolife.wordpress.com/2012/01/22/a-anormalidade-da-padronizacao-ou-quando-tudo-esta-como-era-estatisticamente-suposto/

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