0104 – O rico Brasil não é o risco Brazil

Na Feira do Livro de 2005, comprei por UM REAL um título sugestivo: A GLOBALIZAÇÃO DA POBREZA, Ed. Moderna, 1998, de Michel Chossudovsky, professor de Economia da Universidade de Otawa, Canadá e ex-consultor da OIT (Organização Internacional do Trabalho), do UNDP (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas) e da OMS (Organização Mundial da Saúde, ligada à ONU). Quando da publicação do livro, Chossudovsky era colaborador do Le Monde Diplomatique. Bom, não sou economista, mas entendo que deveríamos ter pelo menos curiosidade em sabermos algo sobre o assunto. Afinal, uma parte da conta é paga por quem? Explorando o livro, dentre vários assuntos que entendo interessantes, um me chamou a atenção. Na página 13, li:

“No Ocidente, os credores tendem a exercer suas pressões sobre os governos nacionais sem a intermediação da burocracia sediada em Washington. Os débitos das empresas paraestatais e de serviços públicos, e dos governos municipais, estaduais e federais são cuidadosamente separados por categoria e ‘classificados’ por mercados financeiros (por exemplo, pela Moody’s e pela Standard & Poor’s). Além disso, espera-se cada vez mais que os ministros da Fazenda estejam ligados a grandes firmas de investimento e bancos comerciais”.

Já aí a minha curiosidade me levou a algo que nunca entendi muito bem, que é o que chamamos de “risco país”, e que as redes nacionais de TV fazem questão de noticiar, como se estivessem falando em código para os vis e ignorantes mortais que o risco-país aumentou ou diminuiu, o que provocaria não se sabe exatamente o que, mas, de todo modo, não parece ser algo muito estimulante. O passo seguinte foi pesquisar no excelente site da BBC Brasil – http://www.bbc.co.uk/portuguese/, BBC DO BRASIL 04 de novembro, 2001 – Publicado às 17h29 GMT O que é o ‘risco país’? e descobrir as informações desejadas: lá encontramos o chamado “risco Brasil”.

Em termos reais, um banco privado é quem diz aos investidores internacionais quais as tendências macro-financeiras nos países emergentes (antes chamados pejorativamente de terceiro-mundistas, como ainda o fazem algumas minorias burguesas ignorantes).

Em outros termos, como hoje em dia as informações dos governos dos países e de seus respectivos Bancos Centrais talvez não sejam tão confiáveis quanto a tarefa feita por quem é tanto do ramo que inclusive tem a capacidade de dominar os mercados mundiais, para que confiarmos na palavra de um ou outro presidente de Banco Central se nós podemos ir direto na fonte que conhece mais do metiê? Pois, nessa mesma linha de raciocínio, ontem achei uma informação interessante no site do Banco Itaú, segundo a qual o grau rating da instituição é maior que o rating do Brasil. A informação encontra-se em

http://ww28.itau.com.br/imprensanet/index.htm?sParam=http://ww28.itau.com.br/ImprensaNet/midia/lernoticia.asp?id_noticia=3898

Isso demonstra claramente que estamos todos nas mãos de uma minoria que comanda não só a economia mundial, mas os nossos destinos e o dos nossos filhos, em nível global. Note-se que a agência que o livro cita, a Standard & Poor’s (S&P), é a mesma citada na notícia do site do Banco Itaú. O livro foi publicado em 1998 e a notícia referida é de 19-05-2006ontem. Evidentemente, nada é coincidência. Procurar saber o que se passa no mundo, portanto, não é apenas um exercício de prazer intelectual, mas importa porque atinge as nossas vidas e as vidas políticas, sociais e econômicas dos interesses das comunidades.

Conhecer é o melhor que podemos fazer por nós e pelos nossos filhos. HILTON BESNOS

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