0107 – O que passou, foi

 
Não há muito que se possa fazer, quando o texto emperra. E ele só emperra quando se perde o que gostaríamos de escrever, ou, pior ainda, só se aliena quando nós próprios nos alienamos. Quer dizer, em outros termos, que tudo está aqui, e podemos ou não prosseguir, se tivermos ou não algo a dizer.
Não são poucas as vezes em que pensamos que nada mais de novo pode ser escrito, até porque quando desembarcamos nessa vida, tudo já está, de certo modo, pronto, e então nos vem uma impressão de conformidade. Nascemos em determinada época, em determinado tempo,, e nosso próprio nascimento já traz expectativas, necessidades,desejos e, especialmente, um futuro. Sofremos um imprinting cultural desde que, pela primeira vez, respiramos. E, nascidos, criamos nossa história; em o fazendo, queiramos ou não, nos pomos criativos, nos reinventamos a cada momento.
Para isso fazemos a linguagem, nos damos conta de que nossas percepções do mundo são as percepções que derivam de nosso corpo. Onde é a frente, os fundos, a esquerda, à direita, e o que é uma prateleira?
Reinventamos tanto e a cada momento e de tal modo que pensamos que tudo é absolutamente natural, que não houve uma invenção de linguagem e de significados. Nos tornamos humanos porque somos simbólicos.
Um dia pegamos um blog e, cade o texto? Não sabemos. Afinal, como acontece à toda hora, o que passou, foi. Hilton Besnos.
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