0129 – A magia que rolou no Brasil Jazz Fest

A  M  I  G  O  S
Envio pra vcs as nossas impressões sobre o Brasil Jazz Fest que aconteceu na Cidade das Artes nos dias 27, 28 e 29 de março. Foi muito bom no cast escalado, todos tocaram maravilhosamente, e o espaço é muito bom para eventos de diversos tamanhos. Como todos sabemos o Rio anda complicado em termos de transito e isso atrapalhou um pouco o acesso, havia lugares livres nas apresentações. O som é de primeira, e tem muitos espaços que podem ser usados para atividades paralelas, como vendas de itens correlatos ( discos, livros, souvenirs ), exposições, encontros com  artistas para autógrafos. Senti falta dessas coisas , e o evento deve aproveitar o público afim. Entrem aí no link abaixo.
Inclui aí em anexo algumas fotos.
Hasta la vista!
P Cesar

 

 

http://clubedejazz.com.br/noticias/noticia.php?noticia_id=1413

a magia que rolou no brasil jazz fest

O colunista de jazz Paulo Cesar Nunes esteve presente na versão Rio do Brasil Jazz Fest e apresenta em exclusividade para o Clube de Jazz, a arte e o clima que rolou nos três dias do evento.

Wynton Marsalis, André Mehmari, Neymar Dias & Sérgio Reze, Tord Gustavsen, Billy Harper e Bennie Maupin. (foto: Paulo Cesar Nunes)

04/04/2015 – Paulo Cesar Nunes

SEXTA – 27/03

WYNTON MARSALIS & JAZZ AT LINCOLN CENTER ORCHESTRA

Logo em sua primeira noite a edição que comemora 30 anos já extrapolou ao trazer ao palco Wynton Marsalis e sua exuberante Jazz At Lincoln Center Orchestra. Com um line-up de sonhos tiveram brilho intenso do primeiro ao último minuto das quase duas horas de apresentação. Bastante à vontade no Rio, o mestre de cerimônias Marsalis anunciou entre os temas sempre explicando a data e a importância que autor imprimiu na composição. Tivemos temas de Count Basie, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e Horace Silver, sempre com grandes performances de todos os músicos, mas podemos destacar o trompetista Marcus Printup, o trombonista Eliot Mason, os sax alto Ted Nash e Sherman Irby, o tenor Victor Goines, o baritono Paul Nedzela, o pianista Dan Nimmer e o batera Ali Jackson.

Muito inspirado o bandleader Marsalis também deu seu recado, e a orquestra mostrou ainda muito bom humor no repertório abrindo espaço para dois vocalistas, os trombonistas Vincent Gardner e Chris Creenshaw. Marsalis fez questão de incluir música brasileira e o primeiro homenageado foi o maestro Moacir Santos com o “Coisa Nº 2”, para a qual convidou o trombonista Vittor Santos. Depois seguiram com “Bebê”, de Hermeto Pascoal, com os convidados Mario Adnet, Aquiles Moraes, Jessé Sadoc e o estelar bandolim de Hamilton de Holanda, com certeza um dos pontos altos da noite, público e orquestra ficaram em êxtase. Emendam com “Coisa nº 8”, de Moacir Santos, com grande solo de trompete com Jessé Sadoc. Grande noite de jazz no Rio e uma demonstração do talento e da generosidade desse gigante Wynton Marsalis.

SÁBADO – 28/03

ANDRE MEHMARI TRIO

Único nome brasileiro no festival André Mehmari já tinha estado em edição anterior em 2006 na Marina da Gloria, e como na primeira vez fez um set espetacular. Concentrou sua apresentação em dois discos, o Ouro sobre Azul, onde homenageia Ernesto Nazareth e o disco As Estações da Cantareira. Secundado pelos músicos Sergio Reze na bateria e Neymar Dias no contrabaixo, Mehmari apresentou sua técnica exuberante em diversos temas como “Ouro Sobre Azul”, “Suite da Cantareira”, “Brejeiro” e com muito bom gosto inseriu temas incidentais de Nazareth nos solos, como “Apanhei-te Cavaquinho” e “Odeon”. Incluiu também um tema de Pat Metheny com enorme propriedade, “Au Lait”, emendando com “Último Desejo” de Noel Rosa. Maravilha de set.

TORD GUSTAVSEN TRIO

O pianista norueguês Tord Gustavsen tem sido um importante representante da corrente mais intimista do jazz europeu. Essa tendência vem crescendo bastante, na qual a música composta é a estrela máxima, desprovida de demonstrações de virtuosismo, uma sequencia de climas obscuros ou tensos, passando a passagens mais suaves bem relaxantes. O trio se completa com o contrabaixista Sigurd Hole e com o baterista Jarle Vespestad, os quais demonstram sintonia com a proposta do líder, solos muito bem alinhavados e elegantes, muitas vezes a bateria sendo o elemento condutor, tirando sons pouco comuns do instrumento, tudo encaixado no contexto de cada composição. Executaram temas dos últimos discos de Gustavsen (“The Well” e “Extended Circle”) e foram muito aplaudidos pela extasiada plateia.

DOMINGO 29/03

MIGUEL ZENON QUARTET

O saxofonista portorriquenho Miguel Zenon começou a noite com duas composições suas, “Tradicion y Cultura” e “La Misma Lucha”, peças nas quais exibe seu improviso contemporâneo bastante arrojado. Passados vinte minutos de musica ininterrupta se dirigiu à plateia em espanhol anunciando seus companheiros , o venezuelano Luis Perdomo ao piano, o austríaco Hans Glawisschnig no contrabaixo, e na bateria o portorriquenho Henry Cole, um grupo multinacional com uma linguagem comum, o jazz. Zenon fez muitos elogios ao Brasil, em especial à música brasileira, e pediu licença para tocar um tema conhecido, anunciando “Na Vitrine”, canção de Chico Buarque, que aqui virou uma balada jazzista com toques latinos, mantendo o clima belo e triste. Dez pontos! Mais dois temas próprios e fim do set, pouco mais de uma hora de ótima música.

THE COOKERS

Se até aqui a edição de trigésimo aniversário estava muito boa, a apresentação do grupo The Cookers foi a cereja do bolo de aniversário. Formado por um cast estelar de músicos de muita estrada e prestígio, o grupo trouxe para esta tour no Brasil os fundadores Billy Harper, David Weiss e Cecil McBee, e foram escalados o trompetista Charles Tolliver, o baterista Ralph Peterson, o sax tenor Bennie Maupin e o pianista Luis Perdomo, que tocou antes deste set com Miguel Zenon. Um dream team do hard bop! Já começaram com um número de Harper, “Capra Black”, do primeiro disco do grupo, “Warriors” (2010), com solos do tenor Billy Harper, do trompetista e mestre de cerimônias David Weiss, de Charles Tolliver e Luis Perdomo. Seguem com um tema de Maupin, com belos solos dele, de Weiss e Perdomo.

O grupo vira um quarteto para um versão de “Round Midnight”, conduzida por Charles Tolliver. Continuam com um tour de force de mais de 22 minutos que começa com introdução de Cecil McBee, seguido de solos de Harper, Weiss, depois o costumeiro espaço para o baterista e Ralph Peterson demonstrou conhecer as baterias das escolas de samba, detonando varias bossas ouvidas nos desfiles, antes do retorno do grupo. Terminam com “The Chief”, tema de Harold Mabern, e que incluiram no disco Cast the First Stone ( 2011). Straight ahead digno da Big Apple em pleno Rio de Janeiro! Difícil mencionar algum destaque, todo mundo tocou para saciar a vontade de qualquer jazzista, mestres de mestres!

O novo espaço Cidade das Artes foi aprovado para eventos de jazz, e ficamos por aqui inspirados por esta maravilhosa edição do Brasil Jazz Fest.

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