0200 – Mundo recursivo

NAVEGANDO por aí, lendo os discursos e, especialmente, as imagens recursivas. Na maioria dos casos, belas, porque é necessário, indispensável, que habitemos um mundo fashion, com imagens très jolies, com músculos, com erotismo, velado ou não, adocicado com um certo ar de disponibilidade neauveau riche. Em tudo, e por tudo, é bastante apreciável que haja muitas fotografias, filmes, filmetes, e o que mais houver. E frases soltas, muitas delas falando sobre o amor, sobre o desejo, sobre o fato que ainda não foi dado, mas do qual já se (re)interpretou as respostas, as saídas, as vielas, e isso às escancaras.

Completando o menu, a afirmativa, mais do que visível, de que somos todos diferentes, junto com um profile no qual o que importa é o fato de que “sou verdadeiro”, “sou diferente”, “sou uma menina”, “sou uma mulher com jeito de menina”, – ou talvez o contrário – e, sobrevoando tudo, a imperiosa “vontade de amar e de ser amada”.  Next.

Vivemos uma época de celebridades on line, na qual todos podem ser um pouco heróis ou pelo menos tornar-se objeto de desejo. Em especial as tecnologias da informação e da telecomunicação implementam esses desejos. Há um mundo virtual a ser desfrutado, mas, na vontade de cumprirmos os nossos quinze minutos regulamentares de fama, conforme sabiamente grifou Andy Warhol, nos tornamos todos iguais. Décadas atrás Millor Fernandes havia dito que todos os jovens – que negavam qualquer tendência conservadora – igualmente usavam calça jeans; na época, a referência, oculta ou não, era James Dean.

Atualmente a referência é quem? O que vejo são instantes e vocações autofágicas, porque morreram não as respostas, mas as perguntas. No entanto, parece que o grande vilão já foi localizado: a jogatina perversa do capital volátil. Então, haverá novos capítulos em uma luta que – essa sim – parece valer a pena.

Talvez, lembrando que segundo o “Relatório de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, a diferença de renda per capita entre o Norte e o Sul do Globo triplicou de 5.700 dólares em 1960 para 15.000 dólares em 1993″, e que “dentre os habitantes da Terra os vinte por cento mais ricos são donos de oitenta e cinco por cento da riqueza mundial, ao passo que os vinte por cento mais pobres (que representam oitenta e cinco por cento da população mundial) são donos de apenas 1,4 por cento”(*), haja perguntas consistentes a serem feitas em busca de respostas. Mas, no fundo, duvido que o povo da beauty generation esteja preocupado com isso. Tomara que esteja errado.(*) Capra, Fritjof, in As Conexões Ocultas, Ed. Cultrix, SP, 2000, p. 155. HILTON BESNOS

 

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